Archive for Junho, 2009

O teu olhar

Junho 18, 2009

1237682872_by_estrela_luz

O teu olhar é diferente
dos olhares que o meu já encontrou.
É um olhar muito atraente,
que de repente, me enfeitiçou.

O teu olhar tem mais vida,
mais brilho, beleza e cor.
O teu olhar, minha querida,
confesso, me conquistou.

Não, não sei explicar
o que se passa no teu olhar.
Só sei que me enche de emoção.

E quando estás me olhando
eu vou me controlando,
dizendo: agüenta coração!

(Zacarias Martins)

Um menestrel literário

Junho 18, 2009

Há anos conheci, com prazer, um andarilho…
A todos que lhe procura não dar rabiçaca.
Um escrevente cortante qual golpe de faca,
Que faz as rimas sem usar nenhum trocadilho.

E rabisca tão simples sem sair do seu trilho.
Ajustado num rumo similar a catraca.
Seus escritos são belos tal qual curicaca,
Ao mesmo tempo, fortes, similar um novilho.

Prá amparar um alguém não bota empecilho,
necessitando servir confia até a bruaca.
Na cultura local é a frondosa estaca,

que segura assente sem deixar estribilho.
Para tempo vindouro preparou o seu filho.
Estou descrevendo o pequeno grande Zaca.

Autor: Arimatéia Macêdo – http://www.arimateia.com

1238955712_1

Coração incontrolável

Junho 12, 2009

1238786685_broken_heart_by_starry_eyedkid

Mais uma vez estou amando.
O culpado é o meu coração
que alegre vive saltitando
em homenagem à nova emoção.

Cuidado, coração!
Já me fizeste sofredor,
me deixando na mão
amor causa de amor.

Tento te controlar,
mas nem sempre consigo.
E quando me fazes alguém amar
só me querem como amigo.

Não sei se vou suportar
viver nessa ansiedade:
com o coração, fazendo-me amar
quem não me ama de verdade.

(Zacarias Martins)

“Não se esqueçam de nós”

Junho 12, 2009
Vista aérea do centro de Gurupi

Vista aérea do centro de Gurupi

Um trabalho de grande alcance social. Esta é, sem dúvida, a verdadeira definição das atividades desenvolvidas pelos acadêmicos do sexto período do curso de Jornalismo do Centro Universitário UnirG, no bairro Cidade Industrial, no município de Gurupi, Estado do Tocantins, sob a coordenação do professor Paulo Fernandes, dentro da disciplina de Jornalismo Comunitário I.

Os acadêmicos puderam conhecer de perto a realidade desse bairro — o mais afastado da cidade — e que, por isso mesmo, parece ser o mais esquecido pelo poder público. A comunidade é carente praticamente de tudo. Não conta com ruas asfaltadas, nem praças, posto de saúde, centro comunitário, cursos profissionalizantes, áreas adequadas para práticas esportivas e muitas coisas mais.

O mato alto toma conta de todo bairro. A iluminação pública é precária e, em alguns locais, ela simplesmente inexiste. Não há posto policial. O transporte coletivo deixa muito a desejar e não funciona nos fins de semana ou feriados.

Na única escola existente no bairro, ao concluir o primeiro grau, os alunos que quiserem dar continuidade a seus estudos enfrentam outro problema sério: a falta de transporte para se deslocar até uma das escolas de segundo grau no centro da cidade. Muitos desistem diante das dificuldades.

As crianças e adolescentes do Cidade Industrial anseiam por cursos de música, de teatro, de dança, de capoeira ou qualquer outra atividade cultural onde possam despertar a seu talento.

Enfim, são tantas as carências e muito a ser feito no bairro que qualquer benefício à comunidade, mesmo o mais simples, é visto como uma grande conquista. E é nesse contexto que se enquadra o trabalho social dos acadêmicos de Jornalismo, que acabam de presentear às pessoas que alí residem com o jornal experimental A Comunidade, que chega em boa hora para dar vez, voz e visibilidade a essas pessoas, que, assim como nós, são cidadãos e merecem toda a nossa admiração e o nosso respeito. (Zacarias Martins)

Caixa-prego do Senado

Junho 12, 2009

CAIXA PREGO

No mês passado, um estudo da Fundação Getúlio Vargas revelou que o Senado tinha mais 600 funções comissionadas e cargos com gratificação, que por si só já é uma verdadeira mamata patrocinada pelo erário público.

Mas as mamatas do Senado não param por aí. Agora, descobriu-se outra caixa-preta na Casa. Deixando à mostra certas traquinices de nossos senadores, constatou-se que atos administrativos secretos foram usados para nomear parentes, amigos, criar cargos e aumentar salários.

Vocês pensaram que a farra era só essa? Não, minha gente, tinha (e se brincar, ainda tem mais). Levantamento feito por técnicos do Senado nos últimos 45 dias, a pedido da Primeira-Secretaria, detectou cerca de 300 decisões que não foram publicadas, muitas adotadas há mais de 10 anos.

O mais estranho é que ao entrarem em vigor, essas medidas além de terem gerado, comprovadamente, gastos desnecessários, trouxeram a lume a existência de curiosas figuras de espectoplasma funcional, fato que chama para a necessidade imperiosa de convocação de alguma equipe especializada de caça-fantasmas para extermina-los.

Entre os funcionários-fantasma do Senado estava João Fernando Michels Gonçalves Sarney. Por um ano e oito meses, esse jovem de apenas 22 anos, mas com sobrenome de peso, foi secretário parlamentar, função que dá direito a salário mensal de R$ 7,6 mil, até se exonerado recentemente quando “descobriram” que ele “trabalhava” no Senado.

Com tanta incidência de funcionários-fantasma que, de um hora para outra começaram a se materializar, é lícito afirmar que certos tipos de exorcização no serviço público finalmente começaram a surtir efeitos? (Zacarias Martins)

A moradia poética de Osmar Casagrande

Junho 9, 2009

1240024136_a_casa__osmar_casagrande__foto_auro_giuliano_004

Expoente do movimento literário contemporâneo no Estado do Tocantins, escritor Osmar Casagrande está com seu primeiro livro de poesias na praça. Trata-se de A Casa – (in)cômodos (di)versos (Editora Kelps, de Goiânia, 132 páginas), onde o autor foi buscar no romantismo a inspiração para exteriorizar belas páginas poéticas. Em 2002 Casagrande já havia lançado Retalhos, livro de contos.

Poeta plural e que tem por diretriz não se prender a temas ou estilos pré-estabelecidos, Osmar Casagrande consegue produzir uma poesia vibrátil e ao mesmo tempo multiforme e irisada, combinações essas que contribuem sobremaneira para cativar ainda mais o leitor ao se deparar com belas páginas poéticas.

Em seu exercício de constante ressignificação, A Casa é, em verdade, uma planta arquitetônica da vila / cidade / país / mundo em sua amplitude de intencionalidades. É uma casa mundana, onde não faltam as aventuras de altos voos do espírito, à qual o autor nos convida constantemente a penetrar, ocupar, gozar, num à vontade desses do interior.

“No livro faço a apresentação de cada cômodo. Desse modo o visitante saberá sempre o que há em cada um deles antes de aventurar-se. Aliás, penso que isso ajuda em muito orientar o sentido da ideia casa”, explica o autor, fazendo um convite especial para que o leitor adentre nesse recinto totalmente impregnado de poesia da melhor qualidade.

Osmar Casagrande é natural de Presidente Epitácio (SP). Graduado em Publicidade e Propaganda, tem ainda destacada atuação como ator, dramaturgo, contista, apresentador em TV, documentarista e poeta. É membro fundador da Academia Palmense de Letras (APL), da qual é o atual vice-presidente. Trabalha na Fundação Cultural do Estado, na função de gerente de Literatura.

Obra – A Casa – (in)cômodos (di)versos
Autor – Osmar Casagrande
Editora – Kelps
Páginas – 132
Gênero – Poesia
Contatos: osmar.casagrande@gmail.com

(Zacarias Martins)

Amor e liberdade focados em novo livro de Eliosmar Veloso

Junho 9, 2009

2935_janela_da_liberdadeO escritor Eliosmar Veloso, presidente da AGL – Academia Gurupiense de Letras, acaba de lançar  o livro “Janela da Liberdade”.  A obra é o primeiro romance publicado por Veloso, que também é autor de “ O amor e a vida” –1986 (poesias); “Três vias” – 2000 (textos teatrais); “Vestígios” – 2004 (poesias) e “Caminho de Pedras” – 2004 (autobiográfico). Participou ainda da Antologia Literária Internacional Del´Secchi, em 1999 e integrou o Colégio Eleitoral do Prêmio Multicultural Estadão.

Veloso consegue mostrar o sofrimento de quem vive aprisionado por conceitos radicais, mas também indica o caminho do amor que a tudo supera e que na sua trajetória tenta passar suavemente, sem magoar ninguém. Mas se não for possível, agirá com força oriunda da alma, que a tudo vence, a tudo supera, capaz de quebrar as correntes e obstáculos propostos no caminho.

O escritor e teólogo João Gomes da Silva, que assina a apresentação da obra, lembra que a liberdade é o maior bem da vida doado pelo criador às suas criaturas, ressaltando que toda vez que esse direito é violado, viola-se juntamente a própria vida, que nunca poderá ser feliz quando privada de um bem que lhe é inerente existencialmente.

Para João Gomes, em “Janela da Liberdade” está explicitada essa tese em forma de romance, onde o autor o detalha a rigidez da vida familiar patriarcal, e mostra que nem sempre a dureza no trato familiar conduz ao equilíbrio por ferir sentimentos que são respeitados pelo próprio criador.

O autor nos transmite a mensagem de que a vitória do amor sobre o ódio, superando o medo, transforma a amargura em sorriso e deixa-nos um recado de alerta com voz que ecoa em todo universo dizendo que o amor e a liberdade devem coexistir.

SOBRE O AUTOR
Eliosmar Veloso é o nome literário de Eliosmar Ferreira Batista, nascido em Marabá, no Pará, mas reside em Gurupi desde 1982. É poeta, escritor, dramaturgo, diretor teatral e artesão. Já escreveu e dirigiu mais de 30 espetáculos teatrais, com destaque para o teatro de comédia, porém, sempre enfocando em seus textos questões sociais. Administrou o Centro Cultural Mauro Cunha, além de ter sido responsável pela Coordenadoria de Arte e Cultura da Secretaria Municipal de Educação (1997/2000), tendo se destacado n o campo da literatura por ter colocado em prática o projeto do Anuário de Poetas e Escritores de Gurupi, que teve quatro edições. Presidiu a Associação dos Artesãos de Gurupi (1993/95), e participou da fundação da Academia Gurupiense de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 02 e foi eleito presidente por duas vezes. (Zacarias Martins)

 

Roda de São Gonçalo: manifestação cultural tocantinense resgatada em livro

Junho 9, 2009

zacarias martins xFruto de um estudo de caso de processo folkcomunicacional (estudo sobre processos de comunicação através das manifestações folclóricas e suas relações com a mídia), o livro “A roda de São Gonçalo na comunidade quilombola da Lagoa da Pedra em Arraias”, do educador e jornalista Wolfgang Teske, faz um registro dessa importante manifestação cultural no município tocantinense de Arraiais, no Sul do Estado, cuja publicação pela Editora Kelps, de Goiânia, contou com o apoio da Fundação Cultural do Tocantins.

No povoado quilombola moram 34 famílias com seus 170 moradores vivendo da agricultura de subsistência, plantando arroz, milho, feijão e mandioca, sendo que, quase a totalidade das roças, são na base da roça de toco. Apesar de possuir características de uma festa, na região todos se referem a ela como a roda. Em várias ocasiões, principalmente, em festividades culturais nas cidades maiores, a Roda de São Gonçalo é dançada como demonstração, no entanto, nesses casos a apresentação se restringe a algumas partes, pois de forma completa ela somente ocorre quando feita por pagamento de alguma promessa.

O autor destaca que a. Roda de São Gonçalo teria surgido por volta de 1200 em Amarante, Portugal, e vem ao longo dos anos sofrendo transformações, mas a essência continua justamente preservada por um povo tão discriminado e que sofre toda sorte de preconceito, como foram as comunidades quilombolas espalhadas pelo Brasil.

“O que a gente percebe, na medida em se pesquisa o tema, é que cada comunidade tem particularidades e uma dessas particularidades são exatamente as manifestações culturais que eles têm e que de forma geral a sociedade não conhece. Ela está sujeita a sofrer mutações e interferências por causa da mídia. Cada vez mais com a globalização, o sinal de televisão e outros meios midiáticos atingem essa comunidade. Mas o curioso é que elas ressignificam a mensagem que recebem através da mídia e mantêm suas tradições fazendo algumas adaptações. É exatamente isso que eu estou pesquisando e usando como base a teoria da folkcomunicação”, afirma Teske.

Visto como ato de consagração religiosa do catolicismo popular, o livro também apresenta textos originais, ilustrados com 20 fotos de autoria do fotógrafo Emerson Silva, da Fundação Cultural do Tocantins, e que retratam desde a formação do cruzeiro da roda de São Gonçalo, aos arcos enfeitados, o altar, a cerimônia, a dança da roda, a sússia, os ritos finais e o canto do Bendintinho.

Para a produção do livro, o autor passou uma tmporada na comunidade, vivenciando os momentos, inclusive acordando cedo para acompanhar à lida das pessoas, para não perder nenhum detalhe da rotina de sua rotina.

SOBRE A LENDA
No Brasil, a devoção a São Gonçalo vem desde a época do descobrimento. O seu culto deu origem à dança de São Gonçalo, cuja referência mais antiga data de 1718, quando na Bahia assistiu-se a um festejo com uma dança dentro da igreja. No final, os bailarinos tomaram a imagem do santo e dançaram com ela, sucedendo-se os devotos. Essa dança foi proibida logo em seguida pelo Conde de Sabugosa, por associa-lá às festas que se costumavam fazer pelas ruas em dia de São Gonçalo, com homens brancos, mulheres, meninos e negros com violas, pandeiros e adufes dando vivas a São Gonçalo.

SOBRE O AUTOR
Wolfgang Teske é catarinense de Blumenau. Graduado em Teologia pelo Seminário Concórdia de Porto Alegre (RS) e em Jornalismo pelo Centro Universitário Luterano de Palmas, no Tocantins. É especialista em Docência no Ensino Superior pela Faculdade Albert Einstein, de Brasília, e mestrando no Programa em Ciências do Ambiente, da Universidade Federal do Tocantins.
Foi missionário da Igreja Luterana de 1981 a 1992, nos estados do Rio Grande do Sul e do Pará. Em Belém, integrou a equipe que criou o Centro Integrado de Educação, Saúde, Assistência Social e Evangelização, sendo seu coordenador geral.

Como primeiro diretor, foi o responsável tanto pela construção quanto implantação do complexo educacional da Universidade Luterana do Brasil em Palmas, de 1992 a 1997. Exerceu o cargo de diretor de Relações Empresariais e Comunitárias da Escola Técnica Federal de Palmas, na sua implantação. Atualmente, é assessor especial da Prefeitura da capital do Tocantins e professor no Instituto Tocantinense de Pós-Graduação – ITOP.

Contato com o autor: wolf_teske@hotmail.com

(Zacarias Martins)